sábado, 2 de agosto de 2014

A CIENCIA E A FÉ N.2

                                                 

                              Ciência e Fé-Isaac Newton


“Em minha opinião, os maiores gênios criativos são Galileu e Newton, os quais eu considero, de certa forma, como partes de uma unidade. E, nesta unidade, Newton é aquele que realizou o mais imponente feito no domínio da ciência. Os dois foram os primeiros a criar um sistema da Mecânica, fundamentado em poucas leis e dando uma teoria geral dos movimentos, que representa, em sua totalidade, os acontecimentos de nosso mundo.” Albert Einstein
Quase todos já ouviram falar de Isaac Newton (1642-1727), o homem que formulou a teoria da gravidade, considerado o pai da Ciência moderna. Poucos sabem, porém, dos enormes obstáculos que enfrentou nas primeiras fases de sua vida.
Sua infância e juventude
Desde o princípio, parecia que tudo conspirava contra ele. Nasceu de parto prematuro, no dia de Natal de 1642 (ano da morte de Galileu), em Woolsthorpe, Inglaterra. O pai, um rico fazendeiro, havia morrido três meses antes. Além de quase morrer durante o parto, o menino não pôde ser amamentado pela mãe, Hanna, que estava muito doente e debilitada. Passou os primeiros dias em uma caixa de sapatos, atrás do fogão a lenha.
Quando tinha apenas 2 anos de idade, sua mãe casou-se com um ministro da Igreja Anglicana. Por exigência dele, Isaac foi deixado aos cuidados dos avós. Estes, por sua vez, trataram-no com desprezo e indiferença apesar de serem cristãos. Newton apanhava sem motivos e ouvia constantemente que a morte do pai acontecera por culpa de seus pecados, sendo que ele nem mesmo havia nascido naquela época. Com isso, o garoto tornou-se introvertido e solitário. Achava mais felicidade em meditar sobre a natureza do que em relacionar-se com outros.
Como jovem, não se adaptou bem às obrigações e aos serviços que ficavam a seu encargo na fazenda. As cercas caíam, e, muitas vezes, ele era obrigado a pagar multas porque os animais invadiam as propriedades vizinhas.
Fisicamente fraco, não participava dos jogos e brincadeiras de luta, comuns entre os meninos da época. Só começou a estudar aos 11 anos, mesmo contra a vontade de seus parentes. Foi nessa época que sua mãe, viúva pela segunda vez, voltou para a casa na fazenda, onde estavam os pais dela e o filho.
Devido aos problemas emocionais e traumas, foi classificado como um aluno fraco, preguiçoso e inativo pelos professores. Passava grande parte do tempo sozinho, fazendo pipas, relógios de sol e pequenos inventos. Aos 13 anos, projetou um moinho de vento tão perfeito que deixou todos admirados e logo foi construído em sua cidade.
Por não acompanhar o desempenho dos outros alunos, foi retirado da escola. Mas um tio, que não o via há muito tempo, percebeu seu potencial e prometeu custear seus estudos até que chegasse à faculdade, desde que houvesse dedicação por parte do menino. Em 1660, conseguiu entrar na Universidade de Cambridge, onde se formou em 1665.
Um homem de Ciência
Logo após a conclusão do curso, quando estava com 24 anos, a Universidade entrou em recesso por causa da peste negra que assolava a Europa, e Newton voltou para a casa de sua mãe em Woolsthorpe. Durante um período de dois anos de reclusão ali, desenvolveu algumas de suas principais descobertas, incluindo um conjunto de teorias (como a da gravidade universal) que mudariam o pensamento das pessoas e sua percepção do mundo. Entretanto, ninguém ainda imaginava o que aquele jovem distraído e sonhador realmente estava fazendo.
De volta à Universidade, tornou-se professor de Matemática e destacou-se cada vez mais por causa de suas contribuições. Embora não fosse um excelente comunicador para o público em geral, suas explicações do Universo, desde o movimento dos planetas, até a oscilação de um pêndulo e a formação de um arco-íris, impressionaram muito os colegas da Universidade. Algumas de suas palestras obrigatórias como professor foram feitas diante de auditórios vazios. Mesmo assim, alcançou fama e grande destaque por causa de suas descobertas, invenções e teorias.
Unindo, de forma extraordinária, a observação cuidadosa com a matemática pura, Newton criou a ciência da Mecânica que mudou o conceito do mundo baseado, até então, na cosmologia de Aristóteles. Newton demonstrou que era possível escrever equações precisas sobre a força da gravidade sem tentar explicar exatamente o que era. Essa força misteriosa (e não as esferas vítreas de Aristóteles) mantinha todos os astros em seus lugares, explicava os movimentos dos planetas e a velocidade da queda de objetos de tamanhos diferentes. Explicava também por que a atmosfera permanece junto à Terra enquanto ela se desloca em altíssima velocidade ao redor do Sol.
Um homem de Teologia
Quando estava no auge de reconhecimento e fama, Newton embarcou numa curiosa jornada de investigação teológica. Provavelmente motivado pela exigência de ser ordenado na Igreja Anglicana oficial para poder manter sua cadeira de Matemática na Universidade, ele iniciou uma longa reflexão sobre as doutrinas cristãs.
A influência negativa de sua família cristã durante a criação certamente exerceu um papel importante no pensamento de Newton. Quando era mais novo, o desejo de que toda a família estivesse trancada em uma casa tomada por chamas assombrava sua mente. Com o passar do tempo, porém, ele se arrependera desse sentimento, pois o igualaria aos próprios malfeitores. Em vez de revoltar-se contra Deus, entregando-se ao ateísmo que crescia na época, Newton procurava entender como as coisas funcionavam, aceitando sua origem e explicação em Deus. Em seus longos momentos de solitude e meditação sobre os fenômenos naturais, teve um encontro com o Criador. Esse período de busca foi aumentando ao longo de sua vida.
Passou a dedicar boa parte de seu tempo ao estudo detalhado, ponto por ponto, dos livros proféticos de Daniel e Apocalipse, procurando a chave para desvendar o que aconteceria no final dos tempos. Estudou, também, a Bíblia como um todo, lendo os originais grego e hebraico. No fim, escreveu muito mais sobre questões teológicas do que qualquer outro assunto. Em um dos manuscritos, sobre o livro de Daniel, Newton chegou à conclusão de que o mundo deveria acabar por volta do ano de 2060. “Ele pode acabar depois dessa data, mas não há razão para acabar antes”, concluiu.
Algumas das conclusões teológicas de Newton não foram muito ortodoxas. Para ele, a posição teológica da Igreja Anglicana representava uma deturpação completa do cristianismo original, e a doutrina da Trindade era um engano iniciado por Atanásio no quarto século. Considerava tanto a Igreja Católica quanto a Anglicana como a grande meretriz do Apocalipse. Ser ordenado por uma delas seria adorar a Besta e receber sua marca.
Diante de tudo isso, Newton achava que não o aceitariam mais na Universidade. Mas não foi o que aconteceu. Abriram uma exceção e mantiveram-no como professor sem precisar da ordenação. Seu interesse por assuntos teológicos, porém, persistiu e foi tão importante em sua vida quanto a pesquisa científica.
Harmonizando Ciência e Fé
Apesar de não demonstrar interesse algum pela divulgação dos próprios trabalhos científicos, Newton adotava um comportamento oposto em relação a Deus e à sua Palavra, empenhando-se na distribuição de Bíblias para os pobres. Em contraste com gerações posteriores de cientistas que usaram suas ideias para construir um modelo mecânico e deísta do Universo, ele sempre procurou harmonizar a Ciência com a fé em Deus. Em sua obra mais famosa, Principia, escreveu: “Esse belíssimo sistema do Sol, dos planetas e dos cometas só poderia provir do plano e da sabedoria de um Ser inteligente e poderoso. (…) Esse Ser rege todas as coisas, não como a alma do Universo, mas como o Senhor de todas as coisas; e, em virtude de seu domínio, ele é chamado de Senhor Deus, ou Senhor do Universo. (…) Nele estão contidas e se movem todas as coisas”.
Esses aspectos da vida de Newton são ignorados ou malcompreendidos pelos pesquisadores ou biógrafos de hoje. A Enciclopédia Britânica inclui sua Emenda da Cronologia dos Reis Antigos e Observações Sobre as Profecias de Daniel e o Apocalipse de São João entre as cinco obras mais importantes de Newton. Mas os pesquisadores não conseguem encontrar uma razão para o fato de um dos mais importantes cientistas que já existiram “desperdiçar” grande parte de seu tempo buscando Deus e estudando a Bíblia.
Estranhamente, a biografia escrita por Michael White e publicada pela Editora Globo até cita como fato verdadeiro a queda de uma maçã em sua cabeça (história tida como fictícia por várias fontes), mas não dedica uma linha sequer às suas publicações teológicas.
José Luiz Goldfarb, historiador da ciência e professor de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), observa que não foi “apesar de sua fé” que Newton conseguiu grandes descobertas cientificas, mas justamente por causa dela. Foram os estudos bíblicos de Newton que lhe proporcionaram uma sensibilidade mais crítica e moderna. Uma tentativa de estudar as profecias de forma quase matemática, usando cronologias detalhadas, abriu as portas para o entendimento dos fenômenos naturais pouco compreendidos até o seu tempo.
Para muitos cientistas, a fé em Deus desestimula a pesquisa, a procura de um entendimento cada vez mais acurado das causas naturais, das explicações por trás dos fenômenos e das soluções para os mais variados problemas que o homem enfrenta no planeta Terra e no Universo. Se tudo foi criado por Deus, se ele guarda os mistérios da vida em seu poder, por que tentar desvendá-los? Newton (entre tantos outros) mostrou definitivamente que isso não é verdade. Uma das mentes mais produtivas e inquisitivas da História não sentiu conflito algum entre aceitar um Deus criador, presente e ativo em todas as esferas da vida, e a intensa busca de um entendimento mais completo do funcionamento de todas as coisas.
Goldfarb vê indício do interesse bíblico de Newton na própria formulação da lei da gravidade. “No hebraico bíblico existe a palavra makom, que significa ‘lugar’. Mas, com a evolução do pensamento rabínico, ela passa a designar a própria divindade. Newton cita essa palavra em seus escritos e parece ter usado o conceito para explicar como a gravidade atuava à distância – como a gravidade do Sol atrai a Terra, por exemplo. É como se entre o Sol e a Terra houvesse um makom, que é Deus, o qual está em todos os lugares”, diz o pesquisador.
Com base em Naum 2.4 (“Os carros passam furiosamente pelas ruas, e se cruzam velozes pelas praças; parecem tochas, correm como relâmpago”), Newton entendeu que a Ciência evoluiria a ponto de desenvolver meios de transporte ainda inimagináveis à sua geração, e que os carros andariam a mais de 80 km/h.
Lembra-se de Voltaire, o inimigo declarado da Bíblia? Veja o que ele escreveu sobre esta conclusão de Newton: “Vejam vocês a que ponto pode chegar o cérebro deste homem que descobriu a gravidade e nos revelou maravilhas admiráveis. Ao ficar velho e caduco, Newton começou a estudar esse tal livro que chama de Sagrada Escritura e, para mostrar fé no fabuloso absurdo deste livro, afirma que devemos acreditar que o conhecimento humano aumentará a tal ponto que seremos capazes de viajar a 80 km/h. Isso é ridículo!” Agora cabe a você decidir quem é o caduco e ridículo. Voltaire, que desacreditava na Bíblia, ou Newton, que era um crente convicto? (Rodrigo P. Silva em Eles criam em Deus, Casa Publicadora Brasileira).
Contribuições científicas de Isaac Newton
Com pouco mais de 20 anos de idade, Newton já havia assimilado por completo o trabalho de todos os matemáticos notáveis do mundo. Foi então, depois de esgotar todo o conhecimento comum, que começou a desenvolver seus próprios teoremas e métodos para criar os fundamentos matemáticos de seu trabalho científico. Uma das primeiras coisas que fez foi encontrar a resposta para um problema que vinha desafiando os matemáticos há tempos, usando o teorema que mais tarde se tornaria conhecido como o binômio de Newton.
Posteriormente, começou a trabalhar naquilo que produziria o maior desenvolvimento na história da Matemática — o cálculo. Hoje, tanto o famoso binômio quanto o cálculo são usados em programas de computação, enquanto engenheiros espaciais os empregam para ajudar a resolver problemas matemáticos complexos, tais como aqueles destinados a garantir a chegada dos foguetes à Lua, a mais de 380 mil quilômetros de distância, e o retorno à Terra em segurança.
Projetou-se na vida pública por meio de seu livro Principia (Princípios Matemáticos da Filosofia Natural) – o mais influente livro já escrito sobre Matemática e Física, servindo como base para outros estudos por mais de 100 anos. Nele, descreve a lei da gravidade universal e as três leis de Newton (da dinâmica), além de muitas outras descobertas que determinaram o momento culminante da revolução científica. Mas, na época da publicação, ninguém conseguia compreender o que fora escrito. Um aluno da universidade, apontando para Newton, disse: “Aí está o homem que escreveu um livro que ninguém compreende, nem ele próprio!”
Deixou vários manuscritos inacabados sobre química. Fez ponderações acerca da estrutura da matéria, sobre a qual dizia que se constituía por partículas móveis que possuíam uma força inimaginável (o que levou mais de 200 anos para ser comprovado por Einstein).
Foi o primeiro cientista a receber o titulo de Cavaleiro da Coroa Inglesa. Em uma pesquisa promovida pela renomada instituição Royal Society, Newton foi considerado o cientista que causou maior impacto na história da Ciência.
“Talvez, a maior das contribuições de Newton tenha sido as leis da mecânica, capazes de explicar como as forças agem sobre os corpos em repouso ou em movimento. E, aplicando essas leis a qualquer sistema mecânico, é possível prever o efeito que uma força terá sobre qualquer objeto. Essas leis são usadas, em conjunto, em todas as áreas da Ciência – do desenho de carros e barcos à previsão do curso das naves espaciais enviadas à Lua; da fabricação de motores de avião à produção de patins aerodinâmicos. Newton também desenvolveu a teoria da gravidade para explicar como os planetas viajam em volta do Sol. A mesma teoria explica por que não flutuamos, mas sim permanecemos firmemente presos à Terra. Newton dedicou-se ainda a muitas outras áreas da Física. Suas teorias sobre a luz ajudaram cientistas e engenheiros a projetar melhores telescópios e microscópios, óculos e câmeras. Suas descobertas no campo da ótica levaram a invenções tais como a televisão e o laser. Armadas com essas teorias, gerações e gerações de físicos puderam desenvolver os conceitos de Newton em máquinas e aparelhos utilizados atualmente por todos nós” (Isaac Newton 
·       NOTAS REVISTA IMPACTO  

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